13/06/2026 às 00:06

O que ninguém te conta sobre os bastidores de uma carreira de 28 anos (E o meu novo "topo")

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3min de leitura

Uma reflexão honesta sobre o suor para construir uma base sólida, o medo do futuro e a beleza de planejar o amanhã ao lado dos filhos.

Introdução: De onde eu vim e o silêncio do domingo

Se você me conhece hoje pelo meu trabalho com fotografia e vídeo, talvez veja um profissional estabelecido, com equipamentos prontos e uma estrutura rodando. Mas quem me vê aos 45 anos talvez não conheça o ponto de partida. Eu vim de uma realidade onde meu pai não tinha carro, não tinha casa própria e muito menos um trabalho fixo.

Hoje, olhando para trás, sinto um orgulho profundo. Construí um lar estruturado, sou casado há 21 anos e temos três filhos. Sou o provedor dessa história com muito suor. E quer saber qual é o meu maior momento de luxo? É sentar sozinho na manhã de domingo, tomar um café e ouvir o silêncio da minha casa, sabendo que todos estão bem e protegidos sob o teto que o meu trabalho garantiu.



O Peso Invisível nos Ombros

Mas a vida de quem vive da sua própria arte e do seu próprio suor tem bastidores que a câmera não registra. Ser o único provedor de uma família de cinco pessoas cansa. Cansa a mente. Há dias em que eu chego em casa, ligo o computador para editar e o cansaço mental é tanto que eu preciso desligar imediatamente e sair da sala.

Quem trabalha por conta própria conhece o fantasma dos "dois meses de folga financeira". Se o mundo parar de novo, como na pandemia, a engrenagem trava. Ver pessoas mais velhas que no passado tiveram sua força de trabalho e hoje não têm uma estrutura nos causa um choque de realidade. A gente se pega pensando: "Eu tenho a idade que eles tinham; será que o meu amanhã será seguro?" Essa cobrança da sociedade e de nós mesmos é um peso diário.



Redefinindo o que é o "Topo"

Por muito tempo, achei que o topo da carreira era o reconhecimento absoluto, a agenda lotada e o faturamento sem fim. Hoje, mudei de ideia. O topo, para mim, passou a ser a paz de espírito. É poder deitar a cabeça no travesseiro sabendo que nada devo, praticar o direito de dizer "não" para o que me tira a calma e ver meus filhos crescendo com saúde.

Mais do que isso: o topo agora é o movimento que estou fazendo dentro da minha empresa. Estou no processo de ensinar o ofício da imagem para os meus filhos de 17 e 13 anos. O plano é passar o bastão do vídeo para eles e caminhar ao lado deles com a fotografia. Quero que eles criem casca, assumam responsabilidades e cuidem do que é deles.



O Próximo Capítulo

Eu não quero o caos e a correria para sempre. O meu plano para os próximos anos envolve estrada, viagens, comer uma boa pizza e tomar um bom vinho com a minha esposa, sentindo o frio das montanhas do Chile. Quero tomar uma sopa na rua coberta, sem pressa e sem a culpa de não estar "produzindo" algo naquele minuto.

Se você leu até aqui, seja você um cliente que confia no meu olhar ou um colega de profissão que carrega pesos parecidos: respeite o seu ritmo. O trabalho é o meio, mas a vida e a família são o fim.

Obrigado por fazer parte da minha jornada até aqui. O segundo tempo está só começando.




13 Jun 2026

O que ninguém te conta sobre os bastidores de uma carreira de 28 anos (E o meu novo "topo")

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